23 fevereiro, 2013

[Conto] Pedindo Passagem | Parte 1

Boa tarde, pessoal! ^-^
Estive saindo um pouco essa semana, já que as minhas aulas - ao contrário da maioria de vocês - só vão começar na segunda, e então, nesse meio tempo, eu estava no ônibus ontem com a minha mãe, voltando para casa, e me veio umas ideias doidas para escrever, sabe? (Momentos de "metida a escritora": eu tenho ideias nas horas e lugares mais inusitados possíveis, hehehe). 
Isso era para ser uma crônica, mas acabou virando uma espécie de conto misturado com texto, sei lá. :) E deveria ter sido menor, mas acabei me empolgando e ai vocês já devem imaginar o tamanho dela :D Por isso mesmo só irei publicá-las em partes, sendo esta, a parte 1 de 2. Espero que gostem!


Pedindo Passagem

Desculpa, Stella, mas não vou poder te dar uma carona até a faculdade hoje.
E foi assim que tudo começou. Com uma simples frase dita pelo meu namorado, que eu quase não chego em casa naquela enfadonha noite de sexta-feira. Graças a Deus que já era uma sexta-feira, porque né...
Saí de casa às 09h, direto para o condomínio do Guilherme, que, costumeiramente, me dava uma carona até a faculdade. Mas, no instante em que cheguei lá e dei de cara com o carro na garagem do condomínio, faltando dois pneus, logo percebi que a minha carona estava perdida.
Guilherme me olhava como se num misto de sem-gracice pela situação e nervosismo sem saber qual seria a minha reação. Eu apenas sorri tentando passar compreensividade – apesar de que eu era péssima para disfarçar emoções... e ele sabia muito bem disso.
– Não tem problema, Gui, eu vou de... – Tentei balbuciar as palavras, mas, por um minuto, juro que me esqueci quais eram os outros meios de transporte existentes. – de ônibus.
 – Tem certeza? – Ele questionou, provavelmente já reparando na minha real reação com a situação. – Posso pedir para o meu pai te levar agora, ele já está saindo para o trabalho.
Conhecendo o Seu Ricardo como eu bem conheço desde muito antes do meu namoro com o Guilherme, sabia que ele iria me persuadir até poder me levar na faculdade, alegando que não teria problema nenhum e toda aquela ladainha tentadora que a gente costuma vivenciar no dia-a-dia... Mas, tipo assim, era impossível isso dar certo. Ele trabalhava na zona sul da cidade, e eu meio que ficava bem mais distante disso. Por isso eu costumava chegar na casa do Guilherme com mais ou menos 50 minutos de antecedência, já que o trânsito de meia hora costumava variar entre 35 e 40 minutos.
– Guilherme, não precisa incomodar o seu pai, pode deixar que eu vou de ônibus. – Senti um breve frio na barriga só de pensar em andar de ônibus pela primeira vez após três anos andando puramente de carro – quem mandou o meu pai, a minha mãe, a minha irmã, o meu namorado e a minha melhor amiga terem carro? Acabei ficando mal-acostumada.
 – Já que você diz isso... – Guilherme deu de ombros, ainda que com uma expressão de dúvida e certa preocupação. – Mas toma cuidado, tá?
Assenti rapidamente, sorrindo para ele, tentando mostrar segurança em minha decisão, e ele então me beijou rapidamente, despedindo-se.
O caso era que o Gui era o tipo de garoto sensível, preocupado e carinhoso que toda garota – que nem eu – ama, e ele até poderia enfrentar os ônibus comigo se ele não tivesse terminado a faculdade há um ano, já estando trabalhando atualmente. A gente havia começado a namorar no meu último ano do Ensino Médio, período este em que ele já estava no segundo ano da faculdade de Medicina, ou seja, ele é três anos mais velho do que eu. Mas era de se esperar que uma garota de 22 anos como eu soubesse se virar numa ocasião dessas, né? Bem, ao menos é assim que a maioria age...
No minuto em que cheguei à parada de ônibus, tive a primeira impressão errada sob a situação. O ônibus que eu deveria pegar chegou rapidamente, e estava quase vazio – convenhamos, depois eu fui perceber que, realmente, pouquíssimas pessoas pegam aquele número –, o que, de início, foi ótimo para mim. Sentei-me no fundo, ao lado de uma estudante cuja farda já denunciava ser de um dos colégios próximos da minha faculdade. Tentei puxar conversa para que aqueles 30 minutos pudessem passar mais rapidamente.
– Estuda no Vieira Gomes? – Perguntei-lhe sorrindo, tentando parecer o mais simpática possível.
Por um segundo a garota me olhou torto e então soltou:
– Minha mãe me ensinou a não falar com estranhos. – E voltou o olhar para a paisagem além da janela, me ignorando completamente.
“E a minha mãe me ensinou a ser educada com as pessoas” acrescentei mentalmente, já me mudando para a cadeira da frente.
Após o tempo previsto, o ônibus logo parou na parada em frente à rua da faculdade, e eu saltei rapidamente, percebendo meus vinte minutos de descanso antes da primeira aula, que, irritantemente, seria de Matemática. Perambulando pelos corredores, logo encontrei a Viviana sentada no pátio da lanchonete, conversando o Marcus. Apressei-me em me juntar à eles e conversamos até o início das aulas, nos despedindo em seguida.
“Pena que eles cursam jornalismo” pensei.
As aulas se passaram numa rapidez única e divertida, e ao fim da última aula corri para o estacionamento da faculdade. Só então me toquei de que o Guilherme não viria me pegar naquele dia, ou seja, eu iria de ônibus.
“Sem problemas”.
Era isso que eu pensava.



Continua...

Gostaram?

Beijos e fiquem com Deus.

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