27 fevereiro, 2013

[Conto] Pedindo Passagem | Parte 2

Oi leitores!
Desculpem-me pela ausência, mas minhas aulas começaram na segunda e eu estou meio "aérea" com a realidade, ainda estou me readaptando ao período de aulas, novas matérias, blocos... Enfim, mudanças acontecem, e é por isso mesmo que lhes venho avisar sobre a websérie do blog. Eu devia postá-la hoje, mas o conto/texto acabou sendo postado no sábado, e como não pude postar a segunda parte dele ontem, terei de postá-la hoje, ou seja, a websérie só irá estrear em Março. Mas calma, ainda essa semana o primeiro episódio sai, ok? :D
Mas, então, vamos conferir a parte 2 do conto? Confere em leia mais!


A parada estava incrivelmente cheia às 18h10, e justo assim os ônibus começaram a vir em números e quantidade menores. Consequentemente, meu ônibus demorou um pouco mais do que na vinda, e só pude ver o meu número se aproximando às exatas 18h40. Só faltei gritar de alegria, tamanha a minha ansiedade de chegar logo em casa.
Mas o meu desespero só estava começando. Curiosamente, o meu ônibus era também o de boa parte dos demais que estavam na parada, o que o fez lotar absurdamente (nota: ele já estava lotado quando chegou, e agora então). Logo me vi quase soterrada em meio àqueles seres humanos que praticamente lutavam para “sobreviver” dentro do veículo, o que me deixou mais ainda desesperada. Cotoveladas ali, empurrões aqui, e, de quebra, pagação de mico.
O meu costume de andar em ônibus não era dos melhores, portanto, a cada chacoalhão eu cambaleava de frente para trás, batendo – e incomodando – todo mundo ao meu redor, o que estava me rendendo alguns xingamentos – junta uma garota desastrada que nem eu + “novata” em usar transportes públicos + um ônibus em movimento constante = mico geral + bônus de xingamentos e irritação dos demais passageiros. Legal, né?
Quando faltavam menos de dez minutos para eu chegar em casa (finalmente), eu já estava com as energias no zero. A ponto de desmaiar de calor, cansaço e machucados pelas cotoveladas e empurrões – ok, não vou ser tão dramática assim, mas é por aí –. Mas um pequeno imprevisto me veio à mente: eu estava beeeem distante da porta, considerando que o ônibus mais parecia uma espécie de “minitrem”. E mais: muitas pessoas à minha frente.
“Ah, meu Deus, como que eu saio daqui agora?”.
Ok, eu estava a ponto de gritar de desespero, mas se eu fizesse isso, certamente iriam me jogar para fora do ônibus, tamanha a irritação das com a minha cara. E então, num ato impulsivo, fui tentando atravessar aquele mar humano banhado de suor, arrogância, mais cutucões, mais empurrões... enfim, aquele mar com ameaça de poluição – levando em conta de que aqueles cidadãos, assim com a estudante do outro ônibus, não sabiam o que era educação, e falavam palavrões o tempo todo, assim como faziam movimentos tão bruscos que poderiam me custar um arremesso até o fundo do ônibus (ok, vou parar de exagerar).
Após oito minutos lutando em meio as pessoas, consegui, enfim, chegar na saída, já na chegada à minha parada. Saltei rapidamente para fora do veículo, agradecendo a Deus por estar viva! – eita, eu dramática de novo... (beleza, troca esse “viva” por “inteira”).
Logo que me aproximo da parada, dou de cara com ele, meu namorado, sentada em um dos assentos, sorrindo solidariamente para mim. Não pensei duas vezes e corri para abraçá-lo – mais drama – e então ele diz:
– E então, como foi a nova experiência? – Ele franzi as sobrancelhas, em um meio riso. – Ouvi dizer que ônibus à essa hora da noite costumam ser bem cheios, sabe?
Revirei os olhos, não aguentando mais ouvir a palavra “ônibus” sendo mencionada nos meus ouvidos.
– Péssima. – Respondi, mas minha expressão já denunciava essa resposta. – Mas o que você está fazendo aqui à essa hora?
– Bem, – Ele passou a mão pelo meu ombro, fazendo-me caminhar em direção à minha casa. – depois que você saiu, eu precisei ir até a sua casa entregar uma encomenda da sua mãe que o carteiro deixou lá por engano, e então eu dei de cara com o seu pai, perguntando onde você estava. Respondi que você havia ido “se aventurar” no transporte público da cidade, e ele logo assentiu que você realmente precisava, digamos assim, encarar mais a vida urbana da realidade. Mas a sua mãe chegou na hora e ficou aperreada em saber disso, ela alegou, por várias vezes, que você ainda era muito nova para fazer isso. – Ele explicou.
Minha mãe só podia achar que eu ainda era uma criança pequena... Primeiro ela não me deixa tirar carteira de habilitação até eu me formar na faculdade, depois diz que eu sou nova demais ir ao shopping sozinha, e agora vem dizer que não estou na idade suficiente de começar a andar de ônibus? Ok, meu dia não havia sido dos melhores, mas ainda assim eu estava pegando o jeito... E quanto a minha prima de 15 anos? A Letícia é praticamente independente nesse quesito, vai de ônibus sozinha para a escola – já que a minha tia não tem carro para ir deixá-la – e, muitas vezes, é ela quem auxilia a mãe nos transportes quando veem nos visitar.
– Então, vendo o desespero e todo o chororo que a sua mãe aprontou por causa disso, resolvi vir lhe esperar aqui, pelo menos para tentar acalmá-la, o que eu acho que não resolveu muito...
– Mas valeu a sua intenção, pelo menos. – Sorri para ela, agradecida pelo gesto. – Obrigada.
– De nada. – Ele me beijou.
“Eu tinha o melhor namorado de todo o mundo”.
– Mas, então, como vai se virar na próxima semana? – Ele questionou pouco depois, continuando a caminhada.
– Bem, ônibus eu não sei se seria uma boa ideia. – Falei. – Mas acho que tirar a carteira de habilitação já seria ótimo para garantir minha independência. – Cogitei, sorrindo.
– Sua mãe vai deixar? – Ele franziu a testa, duvidoso.
– Ela queira ou não, vou convencer o meu pai a me inscrever no teste. – Decidi firmemente. – Se jovens de 18 anos já estão dirigindo por aí, porque eu, que tenho 22 anos, não posso fazer o mesmo? Valeu pelas caronas anteriores, mas eu preciso ser mais independente.
– Hum, pois bem. – Ele sorriu, compreensivo. – Uma boa independência para você.
Dei um risinho meio sem jeito, não achando graça nenhuma na piada dele, e então continuamos o percurso. Altos papos sobre o meu, enfim, passo para a minha independência pessoal. Já estava na hora.



Um pouco maior do que o anterior... Pois é, empolguei legal de novo :D

Enfim, gostaram?

Beijos e fiquem com Deus.

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