18 outubro, 2013

[Conto] Agora e Sempre | Parte 1

Conto escrito por Sâmella Raissa. Favor não copiar/mostrar o texto sem antes ter a permissão da autora.


- O que você ainda faz aqui? Já não tem mandei ir embora?!
- Até onde sei, a rua é pública; você nem ao menos manda nela, então quem dirá em mim.
Gritei internamente, desejando que ele parasse, novamente, com suas piadinhas fora de hora e provocações insistentes. Não sei como pude dar tanta "sorte" de me esbarrar com ele na rua hoje, logo na semana em que as memórias de uma relação do passado voltaram a me assolar. Pensei, porém, que depois de tanto tempo ele tivesse mudado, crescido. Mas vejo que isso era sonhar demais. E, novamente, uma pergunta volta a vibrar em minha mente: “Como fui capaz de namorar alguém tão chato como o Diego?”.
Mas é claro que eu sabia a resposta para essa pergunta. Assim como sabia para “onde, quando, como, e até quando” nossa história juntos durou. Afinal, no alto dos meus dezesseis anos, não era muito surpreendente saber o quanto eu havia ficado encantada com o rostinho bonito, sorriso perfeito, e o jeitinho bobão de Diego. E não durou pouco tempo.
- Vai mesmo me ignorar, agora? Porque, bem, eu estou bem aqui e não tenho todo o tempo do mundo... – Ele riu, fazendo-me corar de nervoso e raiva. E como se isso já não fosse o suficiente, ele concluiu: - ... A não ser, é claro, que seja para você, que é sempre uma exceção!
- Diego, vê se cresce e me esquece de uma vez, por favor! – Esbravejei, e algumas pessoas na rua me olharam assustadas e intrigadas. Sorri-lhes o mais amigável que a minha atual situação emocional naquele momento me permitiu, e então virei-me delicadamente na direção daquele que já ocupara o posto de “meu namorado” por três longos anos.
Enquanto minha cara de poucos amigos afastava qualquer um que viesse em minha direção na rua, lá estava ele, Diego, a então exceção à essa questão. Ele sorria esperançoso, como uma criança que aguarda ansiosamente pelo presente a ser deixado pelo Papai Noel no Natal, embaixo da árvore. Pena que, daquela vez, não havia presente algum, nem para mim nem para ele.
Criei forças novamente, após muito encará-lo ali parada no meio da calçada, e então soltei, tentando me controlar:
- Já se lamentou alguma vez por ter cometido algum erro ou escolha muito ruim na sua vida, e não ter podido consertar à tempo? – A intenção daquela pergunta reverberava de forma nada sutil nas ondas sonoras de minha voz, tendo em vista meu tom ríspido, e claro que Diego não pode deixar de notar o quão a situação já chegara ao limite.
Mas, quando eu penso que ele vai se acertar na vida e tentar ser um pouco racional, meu ex-namorado sorri brincalhão e responde:
­­­- Sim, claro que sim. - E então, quando penso que aquela tarde foi em vão, que nada no mundo seria capaz de acordar o cérebro que até hoje me pergunto se ele realmente usa, ele fica sério de repente e solta: – Como o fato de eu ter sido tão idiota a ponto de perder a única garota que amei de verdade, assim, por uma besteira. – E vejo, em seus olhos, que, ao contrário das vezes anteriores, agora, ele está falando sério. E essa confissão não podia ter sido mais inconveniente.

Um comentário:

  1. Vish, situação complicada a deles, não? Estou imaginando qual teria sido essa besteira que fez com que o namoro deles acabasse... Parece que a garota não tá nem um pouco a fim de reconsiderar e reatar o namoro, mas vai saber, talvez a próxima parte traga surpresas consigo...
    Conto muito bem escrito, Sâmmy (como sempre u.U)! Ansiosa pela continuação.
    Beijos ♥

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