25 novembro, 2013

[Conto] Eu Sou o Seu Maior Fã | Parte 2



Tec, tec, tec.
Abro os olhos e salto da cama num pulo maluco, pega de surpresa por sei lá o que que fez aquele barulho. Então me dou conta que de, até pouco atrás, eu estava dormindo tranquila, esquecendo-se de meus problemas e navegando no mundo dos sonhos, tão provavelmente mais feliz e realizada do que aqui na Terra. Mas aí aparece seja lá quem seja e interrompe meu sono.
Tec, tec, tec.
Hum... só pode ser um dos vizinhos do apartamento ao lado. Eu bem que poderia ter seguido o conselho de mamãe e ter abaixado o som, ou ao menos ter fechado a janela de meu quarto. Penso em ir lá pedir desculpas rapidamente pela minha atitude, mas então uma melodia suave e gostosa invade o clima daquele fim de tarde, do lado de fora de minha janela. A pessoa é tão educada que parece que quer revidar, olha só. Levanto-me da cama e saio marchando, decidida, até a janela.
– Olha só, eu já entendi que você não gostou de eu ter deixado a música rolando solta aqui, e eu prometo não fazer mais isso se você par... – A frase morreu na metade no minuto em que pus os olhos na pessoa à minha frente. Lá estava ele, o Danilo, em pé na varandinha do próprio apartamento – que, (in)felizmente, ficava bem na frente do meu –, um sorriso hesitante pairando sobre os lábios e as mãos tocando forte a melodia ao violão. E tão logo eu chego e a sua voz preenche o ambiente musical.

Outro dia eu me perguntei
As respostas vieram de uma só vez
Só de te ver assim, distante de mim
Percebi o quanto você era importante, oh, sim

E imaginar você assim tão distante
Logo me dá uma sensação angustiante
Eu te quero mais que tudo aqui
E vou falar para o mundo inteiro ouvir...

Paralisei.
Eu já estava acostumada a receber, vez por outra, dedicatórias musicais por parte dele nos shows, como na vez em que eu o acompanhei até o Rio de Janeiro e ele fez um cover mais que especial de All About Us, do He Is We; mas é como disse, foi um cover, e até então suas músicas originais, ao menos boa parte delas, era de autoria dos compositores que ajudavam em seu álbum. Então, naquele momento, recebendo uma música como aquela, eu não pude deixar de ficar meio balançada, apesar de saber que, no fim das contas, aquilo não iria dar em nada.
Ele continuou a tocar, animado, inspirado, feliz, nervoso, ansioso... E a cada palavra, eu ficava ainda mais tensa e sem saber o que fazer. Por que ele tinha que fazer isso? Por que o meu então ex-namorado não podia deixar as coisas quietas como elas estão? Por que ele tem que insistir no que não dá certo?
Mas, mais importante: por que ele tem que fazer com o meu coração?


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